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MORADORES DE RUA

- 15-04-2017 - 15h17min
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Uma questão que deve ser vista e tratada com respeito e dignidade

Nem todos querem sair das ruas. A opção de vida precisa ser respeitada
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Foto: Bruno Zanini Kairalla

Pastor Joel é cercado pelos frequentadores do Centro POP

  • Pastor Joel é cercado pelos frequentadores do Centro POP Sessão de cinema atraiu muitos, que acabaram por se identificar com algumas situações do filme Equipe de atendimento e alguns dos que buscam a acolhida do Centro

Bruno Zanini Kairalla

Uma questão que deve ser vista e tratada com respeito e dignidade

Pastor Joel é cercado pelos frequentadores do Centro POP

ANETE POLL

anete@jornalagora.com.br

Tratar o ser humano como ser humano. Resgatar sua cidadania, sua dignidade. Respeitar o diferente, suas opções e suas opiniões. Esses são preceitos do Centro POP, localizado na avenida Pelotas, o qual atende uma média de 45 pessoas por turno, ou seja, no café da manhã e no café da tarde, sendo que, muitas vezes, para muitos são as únicas refeições que terão ao longo do dia. O local é coordenado pelo pastor Joel Marques, um homem que comemora cada pequena vitória dos que ali buscam acolhida.

E, uma vez por mês, o café da manhã é especial, como foi o desta semana, em comemoração à Pascoa. Vários adeptos da causa se uniram para proporcionar uma mesa da partilha. Logo após, os frequentadores do Centro POP puderam assistir a um filme de Charles Chaplin, “O Garoto”, com direito a pipoca e guaraná. O filme faz parte do projeto Cinema e Cidadania, uma parceria entre o curso de Direito da Anhanguera e a Brigada Militar. “Por meio da arte, conversamos com as pessoas em situação de rua e sempre tentamos estabelecer um diálogo sobre a questão da existência”, frisou o comandante do Policiamento Comunitário, também um grande adepto da causa, tenente Marcelo Azevedo. Em seguida, cada um recebeu um kit de Páscoa com chocolates.

Segundo o psicólogo Pedro Borges, do Consultório de Rua, "a intenção é poder mostrar para a comunidade, que não conhece esta política pública, a importância deste centro de referência, no qual a pessoa pode ter acesso a banho, alimentação, dignidade. Um local onde podem começar a lutar para sair dessa situação”, ressaltou. É no Centro POP que muitos conseguem resgatar a documentação, colocar em dia suas pendências judiciárias, entrar em contato com familiares e, assim, resgatar ou iniciar uma nova vida. Eles têm acesso ainda à lavanderia, oficinas e sala de lazer com jogos.

ACOLHIDA

A acolhida inicia logo pela manhã. Próximo às 8h, essas pessoas, muitas vezes invisíveis, que passam ao nosso lado sem nos darmos conta, começam a chegar. Conversam entre si, trocam ideias, trocam experiências e se amparam. São como vizinhos que se encontram em frente às suas casas para falar sobre o dia. Conforme o psicólogo do centro, Eduardo Botelho de Meirelles Leite, muitos são de outras cidades. “De acordo com as necessidades de cada um é que se constroem as estratégias”, salientou.

RESPEITO ÀS OPÇÕES

O interessante deste centro é que muito mais do que resgatar a dignidade e a cidadania, seus adeptos procuram respeitar as opções de vida. “Muitos não querem sair das ruas. É uma questão de opção. Aqui eles são livres e têm a condição de querer acessar ou não os serviços oferecidos”, ressaltou Alisson Juliano, coordenadora do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento das Pessoas em Situação de Rua (Ciamp-Rua) e gestora da Coordenadoria de Políticas Públicas sobre Drogas.

O centro já se tornou referência fora do País, com atendimento de argentinos, venezuelanos e hondurenhos, que buscaram abrigo e foram encaminhados para suas embaixadas e consulados, conseguindo, desta forma, retornar para casa, o que sozinhos não iriam conseguir. “Aqui é um meio que as pessoas encontram para mudar a realidade da situação de rua”, salientou Eduardo Botelho. “A grande questão hoje em dia, e em evidência, é a questão da crise financeira que o País atravessa. E essa crise pode levar a um aumento de pessoas em situação de rua”, aponta o psicólogo.

AS DIFERENÇAS

Alisson refere que o mais importante é acolher as diferenças. “São pessoas, são seres humanos e assim devem ser vistos e tratados por todos. Este centro é uma política pública dentro do Sistema Único de Assistência Social. Uma garantia, um direito destas pessoas e de quem precisar”, salientou Alisson Juliano.

E o que as pessoas que procuram o centro têm a dizer? Como se sentem? “É uma saída que a gente encontra em meio a tanta perdição”, diz um deles. Outro conta que conseguiu sair da “pedra” (crack) em função do apoio que encontrou no local. Um outro, revelou ser ex-apenado e que ali está aprendendo a refazer sua vida. Outro perdeu a família e não conseguiu mais se encontrar. É junto a tantos outros “invisíveis” que está aprendendo a se refazer. Outro revela que se sente livre nas ruas e que viver deste jeito é o que escolheu para si.

Outros ainda conseguem reencontrar seus destinos, ou refazer ou encontrar um novo. Exemplos não faltam. Jurandir é um deles. Por nome ninguém vai saber, mas quem não lembra de um homem com um violino na frente de uma instituição bancária? Se ele sabia tocar? Claro que não. Mas a vontade foi tamanha que ele está aprendendo. E da melhor maneira possível, na Orquestra Sinfônica de Carazinho, na qual é bolsista de violino. Foi através do Centro POP, do empenho de todos, que ele foi parar naquela orquestra.

EXEMPLOS

Outro exemplo é Daniel. Ele chegou analfabeto. Começou a ser alfabetizado no centro POP em 2015. Uma professora fez com que ele desse os primeiros passos rumo a uma nova vida. Hoje, Daniel já concluiu o Ensino Fundamental, está terminando o Médio e já tem um emprego. E garante que continuará estudando.

Muitos deles passam por nós diariamente. Mas apenas passam, sem serem vistos, notados, percebidos. Passam como qualquer outra coisa sem valor passaria por nós. Para eles faltam muitas coisas, básicas, necessárias para a sobrevivência. E para nós podermos vê-los? Basta um olhar. Não somente um olhar caridoso, mas um olhar mais humano, mais solidário. Um olhar de amor ao próximo.


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